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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O falseabilismo pode ser falseado?


"Now if we look upon a theory as a proposed solution to a set of problems, then the theory immediately lends itself to critical discussion- even if it is non-empirical and irrefutable. For we can now ask questions such as 'Does it solve the problem? Does it solve it better than other theories? Has it perhaps merely shifted the problem? Is the solution simple? Is it fruitful? Does it perhaps contradict other philosophical theories needed for solving other problems?' "

KARL POPPER, Conjectures and Refutations, p.269


Com alguma frequência eu ouço pessoas tentando refutar o falseabilismo popperiano questionando se o falseabilismo é refutável. Se não for, deverá ser rejeitado. Há algumas confusões nessa tentativa que gostaria de esclarecer.


Primeiro, o falseabilismo popperiano, enquanto uma teoria de demarcação entre ciência e não-ciência, afima somente que teorias científicas apresentam o caráter disposicional de refutabilidade empírica, ou seja, do corpo da teoria deduzem-se predições testáveis empiricamente.


Ora, o falseabilismo nunca pretendeu ser científico, ou seja, nunca pretendeu ser uma teoria da qual se pudesse extrair predições testáveis. Ele é uma teoria filosófica, irrefutável empiricamente. É uma metodologia que tenta resolver os problemas deixados por outras teorias metodológicas.


Segundo, do fato de o falseabilismo não ser empiricamente falseável não se infere que ele não possa ser discutido criticamente e até rejeitado. Popper já havia deixado claro na sua obra inicial, Logic of Scientific Discovery, que o falseabilismo deveria ser avaliado por suas consequências lógicas e pela sua capacidade de resolver os problemas da metodologia indutiva sem criar novas dificuldades.


No Conjectures, como fica claro no trecho acima citado, Popper afirma com ainda mais veemência que teorias filosóficas têm possibilidade de serem discutidas criticamente e rejeitadas mesmo que não sejam empiricamente refutáveis e fornece os critérios básicos para esse empreendimento.


Terceiro, essa tentativa tão comum de refutação do falseabilismo, acredito, se inspira no argumento contra a verificabilidade como critério de sentido de proposições defendido pelo Círculo de Viena. O argumento, um tanto resumido, seria que se o sentido de uma proposição é sua possibilidade de verificação, então o princípio de verificabilidade (que não é analítico) carece ele mesmo de sentido.


O truque seria então voltar contra o princípio aquilo que o princípio afirma sobre todas as coisas. No caso do falseabilismo essa manobra não funciona, pois não se trata aqui de um critério de sentido de proposições e sim uma teoria filosófica sobre a demarcação entre ciência e não-ciência. O que o falseabilismo afirma sobre teorias científicas não se aplica a ele mesmo.


Assim, o falseabilismo pode sim ser rejeitado. Contudo, não pelo fato de não ser refutável empiricamente.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Thomas Kuhn e as ambigüidades da refutabilidade


"O que é exato no que concerne à posição de Sir Karl (...) é a idéia da testabilidade em princípio. (...) O que é vago, no entanto, com respéito à minha posição são os critérios reais (se é isto que se requer) que devem ser aplicados quando se decide que determinada incapacidade de resolução de enigmas (puzzles) há de ser ou não atribuída à teoria fundamental, tornando-se assim uma ocasião de grande preocupação. Essa decisão, contudo, é idêntica em espécie à decisão sobre se o resultado de determinado teste falseia ou não determinada teoria, e sobre esse assunto Sir Karl é necessariamente tão vago quanto eu."

Thomas Kuhn em Reflexões sobre meus críticos, pag.306

Lendo essa passagem de Kuhn, veio-me a vontade de escrever um artigo sobre a problemática do falseamento em Popper, artigo publicado na Alter que transcrevo abaixo em três partes. É interessante notar como os pós-popperianos se mantém, de alguma forma, fiéis à questão da refutabilidade e do falseamento e, aprofundando-se nela, tornam claro suas diversas dificuldades e revelam aspectos da atividade científica não compreendidos por Popper.

domingo, 13 de abril de 2008

Utopia and violence




" Do not allow your dreams of a beautiful world to lure you away from the claims of men who suffer here and now. Our fellow men have a claim to our help; no generation must be sacrificed for the sake of future generations, for the sake of an ideal of happiness that may never be realized. In brief, it is my thesis that human misery is the most urgent problem of a rational public policy and that happiness is not such a problem. The attainment of happiness should be left to our private endeavours. "

SIR KARL POPPER